Iniciando o milésimo blog da minha carreira, mas escrever é inevitável. Alias eu sempre me expressei muito melhor atraves de um bom texto, e-mail, carta, diário, guardanapos e afins… é claro que não sou só eu que tenho essa paixão pelo silêncio quebrado apenas pelo som do teclado alucinado que metralha palavras, ou do arranhar de uma bic em páginas que em questão de minutos deixam de ser brancas e se tornam memórias, ou fantasia.
Eu idolatro quem sabe com a suavidade de poucas letras colocar pensamentos em ordem. Meus favoritos na literatura são Nelson Rodrigues e Clarice Lispector. Na música, essas idéias ganham melodia e ficam se repetindo na cabeça, transformando sua mente… Poucos usam a música como a arma poderosa que ela é (infelizmente), e quando eu acho alguém assim eu sugo todo o conhecimento que se é possível.
Meu bom exemplo disso é Pitty. Amo suas letras, e uma delas da nome a esse mar de pensamentos: O Muro. “Se você quiser/Eu posso mostrar que não tem/Mais motivo algum/Pra você se deixar ser também/Um inconformado comum/Que nunca pensa em chegar além/Desses muros construidos/Pela visão limitada de alguém”.
Ambiguo a escolha desse nome, afinal o muro é construído pela visão limitada. Todos nós somos construídos por visões limitadas, e cabe a nós mesmos fica para dentro da reclusão de idéias, ou pular o muro. E praqueles que acham que podem se arrepender, que tenham a coragem de ficar em cima do muro, e observar bem os dois lados, para escolher depois sem medo de achar que é tarde demais para escolher um lado… Eu gosto de estar no meio, de observar ações. Mas não me considero em cima do muro. Apenas acho que o muro “olha” pra fora e da as costas para o que tá dentro. Vive ambas realidades mas sempre olhando pra fora.
Mas voltando a falar de pessoas que escrevem, também admiro roteiristas que sabem “fazer” a mente de um personagem tão complexa como a do ser humano pensante, ativo, com passado e sentimentos. Assisti a Lost and Delirious ontem. Não tem como não se deixar pelas palavras de Shakespeare ou pela perdição de Paulie. Um personagem que é influênciado por outro personagem e transforma tudo num jogo de palavras que ultrapassa os limites dos sentimentos através de palavras escritas, lidas ou representadas. O filme retrata tão bem a mente “lesbo-adolescente” que chega a me impressionar.
Eu, por exemplo, nunca tive uma amiga que não tenha ficado na situação exata de Paulie. Que não tenha entendido o amor antes de sentir dor. Acho isso meio mágico de certa forma. Num mundo consumista e capitalista e imperialista é só no amor e nas palavras sobre coisas de dentro que podemos ser humanos.
Não podemos ser humanos no trabalho, nem na escola, nem nas baladas, e admiro quem pode escrever o que sente, porque esse sim será humano em tempo integral.
Março 11, 2008 at 4:06 pm
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