Julho 2009


Bom, esse é meu último post nO Muro.
Quando comecei O Muro eu me sentia feliz por ser uma pessoa indecisa. Isso não destruia minha vida, não me atrapalhava em nada. Isso na verdade era a única certeza, mesmo que paradoxal, que eu tinha a respeito de mim. Eu era uma pessoa indecisa E PONTO.

Meu coração carregava mágoas, carregava medo, carregava culpa. Eu tinha falta de ar, eu queria fumar alucinadamente e acabar numa vala bêbada e carregada, achando isso bonito. Eu fiz tudo que não devia, de uma vez.

Não vou negar, a essencia, os valores e a alma continuam a mesma. Eu ainda sonho em me apaixonar enlouquecidamente e ser capaz de jogar fora tudo que eu lutei pra chegar onde estou… mas hoje as coisas mudaram… Hoje… hoje eu sou a Lilla. A Lilla de novo. A Lilla que parece que o MUNDO procura quando tem problemas, e que, se pah, nem tem estrutura pra isso. A Lilla que eu abandonei, e que ainda existe. Ainda sonha e tem planos, ainda é esbaforida e divertida quando quer. Que fala pelos cotovelos e é ironica.

Hoje os problemas são outros, as duvidas são outras, e então vou começar um novo rumo pra falar das coisas que acontecem. Assim que começar, posto o link como uma despedida a esse muro, tão pichado, que usei mil vezes para me apoiar.

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Me diz? Me explica, cara. Eu simplesmente não entendo.
Não me venha com essas meias palavras, não me venha com essas meias verdades. Um dia eu desejei ser completa, e hoje eu luto apenas para querer existir. Luto porque sei que um dia, há tempos, valeu a pena, e não acredito em chance única. Sim, um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar, as pessoas podem se regenerar, e eu posso voltar a ter planos que me completem. Acredito nisso, como as pessoas hoje acreditam em Deus. Você sabe que nunca tive muito tato com religião. Você sabe que eu só rezava porque era seu hábito diário me dar a mão, deitar no meu peito, agradecer por tudo, pedir por alguma coisa, e rezar “como Ele nos ensinou”. Desculpa, Deus. Eu não queria ser assim tão descrente. E de fato não sou. Mas tem horas que é impossivel acreditar que eu também faça parte da obra divina.
E os sentimentos vem. E os sentidos vão. E tem dias que o peito aperta, que a cabeça gira, e que você continua sorrindo. Pra tudo. Pra todos. Sabe aquele momento da vida que nada presta? Nada, ninguém, nem você, nem ele. Nem nós. Eu não consigo mais lembrar dos momentos ruins como momentos ruins. Eu tenho as mágoas no meu peito, na minha cabeça, na minha lembrança. Tenho medo. Tenho pavor. Eu não respiro direito, eu ainda vomito, eu continuo engordando a custa de lembranças e de falta de continuidade no meu plano de ser feliz, casar, ter filhos, morar numa casa grande, onde alguma parede seria laranja.

Cade minhas vontades? Sinto tanta falta…
Agora mesmo. Vim de onibus pra casa. Entrou um senhor, e eu pra variar estava no banco de idosos. Ele se sentou na frente, onde um rapaz simpático se levantou, e vim ouvindo. Ele tem noventa e três anos. É italiano. Mora no Brasil a mais de sessenta anos. Perdeu a mulher ano passado após cinquenta e nove anos de casado. O filho tem quase essa idade. Tem dois netos. Um menino e uma menina, que faz medicina em Ribeirão. Ambos tem uns vinte anos. E ai tudo lembra você. Lembra seu avô, o “italiano fortão” que você tem tanto orgulho quando conta. Lembra do quando eu me senti bem. Lembra quando ele olhou com aquele azul intenso no meu olho e disse pra você que eu era uma boa pessoa… Lembra tudo, meu Deus. Me livra da minha memória. Porque dói tanto, Bê. Dói lembrar. Dói viver. Dói acordar todos os dias e pensar que tudo lembra. Seu avô esteve mal, e eu estava ali pra te abraçar. Ai lembrei quando a minha avó morreu. Cara, eu queria um abraço. Eu queria um colo confortável pra chorar. E eu olhava pro lado e meu desejo era cair. Eu busquei cumplicidade, eu busquei sinceridade, eu busquei amor. E chega! Não sou pirata pra viver atrás de alguma coisa a vida toda. Eu quero encontrar, quero aproveitar, quero demonstrar, quero cansar, quero ter paz. Ta doendo. Espero esquecer. Espero voltar a viver. E enquanto isso, to aqui.