falta de ar


- me jogar de um prédio.

- tomar tudo quanto é remédio.

- me afogar.

- prender o ar, e enfiar metade da fronha na boca.

Quando isso tudo vai acabar? Eu não sei. Queria que acabasse logo, e não tivessem esses fins temporários que a sensação de felicidade tras.
E quando você não quer prejudicar ninguém? E quando você lê Bukowski e Caio de maneira incansável, tentando consolo no colo de quem se sente tão mal quanto você, mas continuou. E pra eles já acabou. Eu daria mais valor se estivessem aqui… Se ainda tentassem falar que eles tentam.
Minha gastrite ta virando úlcera, minha consciência fala mais alto pelos outros e toda vez eu me afogo mais na mágoa de não seguir meus sonhos, ideiais, desejos e vontades. Eu não quero mais falar sobre talento. Sobre capacidade. Sobre carisma. Sobre potencial. Sobre nada… Eu quero ficar muda. Eu quero ficar surda. Eu quero me absorver na minha própria dor porque só nela eu acho a cura pro irremediável desejo de apagar tudo que ja passou. E quando eu sinto essa dor tudo volta. Tudo, todos. Os medos, as aflições, as frustrações, as pessoas que passaram, a carência, a agonia. E ao mesmo tempo eu não sei se os abraços da Aline seriam tão bons pra alguém quanto são pra mim, se o “eu te amo” do meu primo seria tão gostoso quanto é pra mim, se as preocupações da minha mãe seriam tão absurdas quanto são pra mim. Se o amor incondicional e a confiança da minha prima existiriam sem mim. Mas que diabos. Eu não vivo por mim, vivo pelo que os outros querem/sentem/pensam de mim.

Mas uma vez eu errei na minha vida, pelo que esperam de mim.
Vocês venceram. Vou seguir Caio e continuar… Mas não exijam mais nada de mim…

Pero tal vez
Si tú hubieras hablado mi amor
Te tendría aquí a mi lado
Y serías feliz

Me falta vergonha na cara de me afastar das coisas negativas que me sugam…

Corta rente a pele e fere.
Faz sentir e ouvir
Enxergar os fantasmas e o passado
E morre uma vez mais.

Não diga que foi meu passado
Não pensa que o erro é só meu
O que eu digo não faz consertar
Como eu ajo não te faz acreditar
E por mais que eu implore
Sua reação será sempre se curvar

Mente, sente, entende
Faz perceber que cada golpe
Faz doer um pouco mais.
Os sonhos pegando fogo
E a luz fazendo as faces mais lindas.
O que eu queria virou cinza.
E você me pede um pouco mais.

Não tenta me convencer
Não busca outra razão de viver
O que eu penso não faz mudar
Meu esforço é afirmação de fracassar
E nem vai adiantar
Sua resposta será sempre se esquivar

Acontece que todos os dias são normalmente atípicos. E isso é tão tedioso quanto a rotina. Não pensem que é aquela vontade depressiva de morrer. Não é. É só a vontade da madrugada ser eterna. É que daqui a pouco o dia vai querer raiar, e o “bom dia”, talvez, seja mais amargo que ontem. Não sei se hoje você vai me querer, porque ontem você não quis. Tenho dúvidas quanto a minha capacidade hoje, porque ontem eu estava incrivelmente disposta. Será que serei capaz de escrever um livro hoje, porque ontem apenas letras de músicas conseguiam me traduzir. Eu mesma nem sei quem sou, e acho que feliz é quem não tem o menor interesse em saber. Não estou suportando conviver com mentira, com medo, com desespero. Rolou uma fase de “hey Lilloka, quais são seus valores?” e a resposta foi um vácuo. Preciso me recuperar, tão sozinha como no dia que entrei nessa lama.

Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
mas nunca encontrei você na escada

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia – eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como – eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto – preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio – tão cansado, tão causado – qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios – que importa?(Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio – viria? virá? – e minto não, já não preciso.)Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

Caio F.

*****

Em contradição, a frase que anda fazendo eco na minha cabeça a cada passo é:
“i don’t want to be your other half cause i believe that 1 and 1 make 2″

*****

Minha única vontade hoje era ser inteira, pra te somar.
É ruim brigar contra ser essa coisa vazia e incompleta. Porque você não está do meu lado. Porque não sei se você vai estar quando tudo isso se encher e se tornar um só. Porque da medo lutar tanto pra “nada” [?]. Tantos PORQUES. TANTOS.

Eu repeti inumeras vezes que queria ser um remédio pra curar os problemas dela. E hoje eu só queria ter me curado. Se eu tivesse me curado, você não se curaria de mim.

“O amor me consumiu, depois sumir”.

“E eu que sonhei por tanto tempo em ser livre… me prenda em seus braços, é o que eu te peço”.

Não quero te consumir. Só quero isso, tão bom, que sinto que parece que você está do meu lado. E abrir os olhos e não te ver só é confortável quando sei que seu coração ta perto de mim.

*****

Existe romantismo racional?

. deu saudade.

E aquela sensação de estar vazia a tomou. A garganta ficou seca. Os dedos ansiaram por mais um cigarro entre eles.

Preciso de um [maço] Lucky Strike “Tiro No Pulmão” Vermelho, uma garrafa de Country Wine Tinto Seco ou Smirnoff Triple Distilled, e um filme do Almodóvar ["fale com ela" ou "má educação"].

Eu não sei pintar
eu não vi o seu filme
não sou de jogar
não bebo em pé
não frenquento barra

Assim me sinto bem
não devo a ninguém
e eu não vou mudar
vou ficar com meu time
não vou misturar
cachaça e café
só pra te agradar

Assim me sinto bem
não devo a ninguém
meu instinto não falha
nega abaixa essa saia ia ia ia
gente assim se atrapalha
eu já quase morri de fome
mas hoje estou bem

Entertain me for the tenth hour in a row again
anesthetize me with your gossip and many random anecdotes
and fill every hour with activity or ear candy
drop me off at intersections in any city metropolitan

and keep me in this state
and keep me purgatorying
and sing me back to sleep
this is far more than I had bargained for

start every week with a break-neck urgent design
and end every speed day with my briefcase representing freetime
spending my fruits my purchases become my lifeline
please give my love to my family
I’ll doubtfully be home at Christmas time

don’t disturb me in this state
please leave me purgatorying
I’ll be damned if I’m to wake
this is far more than I am equipped for

I’ve held you up like a deity
like you’re the sole owner of wings
this unrequited tunnel vision
and I wonder why I’ve not been writing

please keep me in this state
please keep me purgatorying
please rock me back to sleep
this love is more than – than I have bargained for

I’ll be damned if I’m to wake
this is far more than I’m equipped for

*****

E esse é o som do momento. Estou aqui sofrendo horrores com a Alanis, a janela aberta, meu cigarro no bolso esperando a próxima pausa, e um copo de café. E na boa, não troco isso por NADA!

Oi meu amor…
Faz tanto tempo que você morreu e eu ainda consigo sentir sua respiração, e ouvir sua voz me pedindo pra sempre ter calma. As vezes eu apago o vazio, mas as vezes ele me apaga. Tá tão profundo ainda que eu ouço você falando do seu medo. Eu sinto tanta culpa, eu sinto tanto por você ter partido. Eu não vejo a hora de morrer pra estar do seu lado, mas eu nunca tive coragem. Eu nunca tive coragem de olhar nos seus olhos e dizer como a nossa vida juntas foi essencial. No mundo que você está o sofrimento é menor? Você consegue sorrir? Eu só estou criando coragem, eu juro que não vou esperar muito tempo. Vou resolver isso logo e partir pra onde você está. Quem sabe assim eu te dê paz o suficiente para você viver.

Se alguma coisa realmente acontecer, porque eu tenho medo de não conseguir, não esquece que fiz isso pra te tirar do inferno que é me ter por perto. Eu não sei se você consegue sorrir em paz, não sei. Talvez você esteja muito bem, feliz com as cobranças novas que lhe são impostas. Eu só quis te salvar desse mundo. Eles cobravam, você chorava, eu me chateava e tentava resolver, mas talvez não era esse o meu papel, e eu fui cortada do elenco da sua vida. Quando eu te fazia chorar, no outro dia eu tinha mais amor. Depois que fiz você só sorrir, acabou. Acabou a gente. Você morreu, e eu carrego o peso da sua cruz. Eu preciso te libertar de mim.

Estou estudando sobre isso. Como dói menos, e é mais rápido, e vai parecer acidente… se parecer acidente ninguém vai ter ódio de mim. Falando em ódio, eu lembro que te pedi pra ter pena. Engano meu. Não quero pena. Quero amor… O seu amor era uma cura, e pensar que mesmo sem ser todo dia eu poderia ter essa cura, me fazia mal. Mas você virou as costas, e eu me senti tão sozinha. Eu me perdi. Acabou tudo que tinha em mim e você me pede pra parar de repetir isso…

Se lembre dos meus planos. Se lembre de cumprir eles por mim. Eu te amo, e sempre vou te amar.
Sua Bê.

Esse é meu mantra do ano… Quando tá tudo errado eu penso: “preciso superar”… Tá, não ajuda porra nenhuma, mas depois de três cervejas tudo melhora…

“Por hora eu não suporto esse vazio, e quero esvaziar ainda mais. Esvaziar minha mente tão aterefada nas árduas missões da vida. Aquelas que buscam a ajuda ao próximo, e acolher os demais… Não me sinto acolhida. Não me sinto ajudada. Certas vezes sinto-me esquecida, abandonada. Busco amizades nos menores dos seres porque sei que um dia ele crescerá e será forte para me aguentar. Mas essa espera se torna cansativa, quando seu agressor retorna para estapear o rosto por milhares de últimas vezes. Você cria algo como a sindrome de estocolmo. Feição por quem te machuca e agride. Por quem te fere. Sinto-me diversas vezes mal interpretada. Consigo sumir do mundo quando não lembro nem que eu sou. São poucas horas de paz no meu espirito. O preço disso é angústia das horas seguintes. O medo de ter magoado, o receio de ter falado a verdade. Todos tememos a verdade. E nem a superação supera a verdade. A verdade é essa. Perdi.”

Já conheço os passos dessa estrada
sei que não vai dar em nada,
seus segredos sei de cor.
Já conheço as pedras do caminho
e sei também que aqui sozinho
vou ficar muito pior.
E o que é que eu faço contra o encanto
desse amor que nego tanto, evito tanto,
e que no entanto volta sempre a enfeitiçar
com seus mesmos tristes, velhos fatos
que num album de retratos eu teimo em colecionar…

Lá vou eu de novo, como um tolo,
procurar o desconsolo que cansei de conhecer.
Novos dias tristes, noites claras…
Versos, cartas, minha cara… ainda volto a lhe escrever
pra lhe dizer que isso é pecado e eu trago o peito tão marcado
de lembraças do passado que só você sabe a razão.
Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto
a maltratar meu coração…

Eu ouvia essa música e achava ela bonita, mas acho q como poucas pessoas, só eu sei a angústia de ter os sentimentos assim, sempre a flor da pele. Hate it.

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