insônias


Teve um dia que eu tive a sensação de sorrisos em slowmotion. Aprendi isso com a Rebeca, achei uma frase ótima, mas nunca tinha tido essa sensação. Aquele dia onde tudo que você faz poderia ser capa de caderno da Tilibra, sabe? Esses dias eu tive… Achei engraçado porque lembrei da Rebeca e lembrei de uns tempos engraçados do meu passado, onde eu tinha perdido completamente a noção do perigo e do medo me enfiando na casa de pessoas que eu não conhecia [e não me conheciam] e ali eu podia fazer um personagem engraçado e descolado. Sabe aquela pessoa “adorável” que a gente conhece um dia na casa de um amigo, mas ela não é nem de longe amiga desse seu amigo? Era eu. São pra esses lugares que a falta de amor próprio nos levam. Pra dois maços de cigarro e uma garrafa de Jack virada a base de shots com aqueles mais novos melhores amigos de infância. Pra acordar no chão da sala de estar de alguém que você mal lembrava o nome. Acordar às 4h da manhã, com dores no corpo e sair no meio de um lugar desconhecido com um sobretudo preto, e um cachecol laranja, no frio cortante do inverno e das madrugadas de São Paulo, no meio da chuva, querendo achar um caminho ou avenida conhecida. Sair com mais 4 cigarros no bolso, o resto da garrafa de vinho colorido artificialmente, e a ressaca moral, porque aquela pessoa descolada da noite anterior não era você. Sair e ir atrás da pessoa que fez você perder sua personalidade e pedir ajuda, pedir pra dormir só mais umas horas. Se humilhar, pedir, implorar, forçar, tentar e qualquer verbo de persistência no que já tinha passado. Tristeza-depressão-mau estar. Constante vontade de se jogar de qualquer lugar. Criar medo de lugares altos porque aquilo tudo atrai. É, foi uma época engraçada.

Eu tinha medo de sair de tudo isso. Tinha medo porque até então a pessoa que me causava toda essa dor também me protegia. Eu não queria companhia, eu sei ser sozinha, mas eu precisava dessa ilusão de amor. E ela foi indo embora… e eu fui começando a me afundar cada dia mais e me sustentar numa pseudo relação que me prendia mais do que qualquer relação que eu pudesse ter longe dos olhos desse cuidado que eu tanto estava buscando.

Hoje eu paro pra analisar. Eu só preciso ser feliz. Não depende de ninguém, não está a atrelado a amor, paixão, sexo, amizade ou qualquer coisa que o valha. E pensando assim eu to conseguindo ser feliz. Tem sim alguém do meu lado, que me apoia até nos dias que eu resolvo perguntar porque o leite não é da galinha e o ovo da vaca, mas dessa vez não tem amarras, não algemas, não tem cordas, não tem âncoras, não tem nada. Tem amor, e felicidade. E ai eu percebi que sorrio em slowmotion e tenho uma relação saudável…

Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
mas nunca encontrei você na escada

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia – eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como – eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto – preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio – tão cansado, tão causado – qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios – que importa?(Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio – viria? virá? – e minto não, já não preciso.)Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

Caio F.

*****

Em contradição, a frase que anda fazendo eco na minha cabeça a cada passo é:
“i don’t want to be your other half cause i believe that 1 and 1 make 2″

*****

Minha única vontade hoje era ser inteira, pra te somar.
É ruim brigar contra ser essa coisa vazia e incompleta. Porque você não está do meu lado. Porque não sei se você vai estar quando tudo isso se encher e se tornar um só. Porque da medo lutar tanto pra “nada” [?]. Tantos PORQUES. TANTOS.

Eu repeti inumeras vezes que queria ser um remédio pra curar os problemas dela. E hoje eu só queria ter me curado. Se eu tivesse me curado, você não se curaria de mim.

“O amor me consumiu, depois sumir”.

“E eu que sonhei por tanto tempo em ser livre… me prenda em seus braços, é o que eu te peço”.

Não quero te consumir. Só quero isso, tão bom, que sinto que parece que você está do meu lado. E abrir os olhos e não te ver só é confortável quando sei que seu coração ta perto de mim.

*****

Existe romantismo racional?

. deu saudade.

E aquela sensação de estar vazia a tomou. A garganta ficou seca. Os dedos ansiaram por mais um cigarro entre eles.

Preciso de um [maço] Lucky Strike “Tiro No Pulmão” Vermelho, uma garrafa de Country Wine Tinto Seco ou Smirnoff Triple Distilled, e um filme do Almodóvar ["fale com ela" ou "má educação"].

Eu não sei pintar
eu não vi o seu filme
não sou de jogar
não bebo em pé
não frenquento barra

Assim me sinto bem
não devo a ninguém
e eu não vou mudar
vou ficar com meu time
não vou misturar
cachaça e café
só pra te agradar

Assim me sinto bem
não devo a ninguém
meu instinto não falha
nega abaixa essa saia ia ia ia
gente assim se atrapalha
eu já quase morri de fome
mas hoje estou bem

Entertain me for the tenth hour in a row again
anesthetize me with your gossip and many random anecdotes
and fill every hour with activity or ear candy
drop me off at intersections in any city metropolitan

and keep me in this state
and keep me purgatorying
and sing me back to sleep
this is far more than I had bargained for

start every week with a break-neck urgent design
and end every speed day with my briefcase representing freetime
spending my fruits my purchases become my lifeline
please give my love to my family
I’ll doubtfully be home at Christmas time

don’t disturb me in this state
please leave me purgatorying
I’ll be damned if I’m to wake
this is far more than I am equipped for

I’ve held you up like a deity
like you’re the sole owner of wings
this unrequited tunnel vision
and I wonder why I’ve not been writing

please keep me in this state
please keep me purgatorying
please rock me back to sleep
this love is more than – than I have bargained for

I’ll be damned if I’m to wake
this is far more than I’m equipped for

*****

E esse é o som do momento. Estou aqui sofrendo horrores com a Alanis, a janela aberta, meu cigarro no bolso esperando a próxima pausa, e um copo de café. E na boa, não troco isso por NADA!

E logo eu, que penso tanto e todos os dias.
Engraçado é que só eu pareço enxergar as coisas. Só eu não fecho os olhos pro mundo de tanto que penso.
Eu queria pensar menos, falar o necessário e agir mais.

As coisas escapam das minhas mãos, meu egoísmo cego não permite que tudo dê certo. Eu não enxergo um palmo a frente dos meus interesses.

E tem a outra saga. Aquela luta que sai da dor da falta e entra na dor de ter que aprender a ser sozinho. Coração vagabundo que se vende a quem tem um pouco mais de carinho a oferecer, mas que realmente só gosta de quem nada quer dar.

“Sou uma criatura estranha, com uma solidão tamanha daquelas que sempre tem que estar perto de alguém para conseguir ficar bem, e quando não tem ninguém faz manha.”

Pensamentos absortos no medo. Falta coragem e esperança, mas em breve elas serão minhas companheiras.

“- eu sonhei com o dia que eu ia te ver, te der do meu lado, te dar um beijo e deixar seu mundo mais calmo. mas a verdade é que nesse sonho o personagem principal era você. meu coração só se acalmava com a sua chegada e ficava a beira de um colapso com a sua ausência. eu te amo. eu já amei assim antes, e tenho medo desse sentimento, mas do seu lado eu sou forte. do seu lado nada me atrapalha ou atropela. e toda vez que eu tenho você um pouco mais pra mim, eu tenho medo de errar e acabo não sendo eu mesma… preciso me controlar, eu sei. mas, você já realmente amou alguém?”

Esse é meu mantra do ano… Quando tá tudo errado eu penso: “preciso superar”… Tá, não ajuda porra nenhuma, mas depois de três cervejas tudo melhora…

“Por hora eu não suporto esse vazio, e quero esvaziar ainda mais. Esvaziar minha mente tão aterefada nas árduas missões da vida. Aquelas que buscam a ajuda ao próximo, e acolher os demais… Não me sinto acolhida. Não me sinto ajudada. Certas vezes sinto-me esquecida, abandonada. Busco amizades nos menores dos seres porque sei que um dia ele crescerá e será forte para me aguentar. Mas essa espera se torna cansativa, quando seu agressor retorna para estapear o rosto por milhares de últimas vezes. Você cria algo como a sindrome de estocolmo. Feição por quem te machuca e agride. Por quem te fere. Sinto-me diversas vezes mal interpretada. Consigo sumir do mundo quando não lembro nem que eu sou. São poucas horas de paz no meu espirito. O preço disso é angústia das horas seguintes. O medo de ter magoado, o receio de ter falado a verdade. Todos tememos a verdade. E nem a superação supera a verdade. A verdade é essa. Perdi.”

Oh como meu coração canta suicídio,
Oh como meu medo afunda em tinta preta.
Oh como minha marcha fúnebre traz uma lágrima aos seus olhos,
Oh como a forca balança quando você morre.
Que surpresa! qual é o preço?
qual é o prêmio? Que surpresa!
Oh como meu coração se parte quando você silencia meus olhos,
Oh como meu medo afunda em tinta vermelha
Oh como a forca sorri quando você mente,
Oh como meu útero pune quando você cava bem no fundo.
Você faz isso? Você sente isso?
Você vende isso? Você precisa disso?
No sol os salgueiros te dão sombra
Como eles ficam pendurados como uma guilhotina

Ouço muito, retruco pouco. Faço pouco da minha própria capacidade. Ninguém teria orgulho de ter criado a criatura que mais abaixa a cabeça diante a dificuldades. Não sou motivo de esperança, nem mesmo simbolo de coragem. Estou longe de ser qualquer beldade. Eu ando caminhos tortos simplesmente por gostar de paisagens. Prefiro “perder” duas horas sendo feliz com o sentimento de calma. Eu durmo demais, ronco, engasgo comendo SEMPRE. Fumo, bebo, dou risada alto, choro quando bem entendo. Meu último choro de verdade foi num show. A música que desengasgava. Chorei e entre lágrimas e gritos eu me libertei pela última vez. E quando acho que estou livre o inferno volta.

Nunca vou me livrar…

Tente explicar as coisas mais importantes e você verá que o que sobra conforta todo o vazio da seriedade, toda a falta que um sorriso no seu rosto trás e a quebra da expectativa…

E estou indo de novo para o lugar onde minha mente descansa. Eu te ajudaria a relaxar, parar pra pensar, eu faria de tudo se eu já não estivesse lá.

Depois me diga qual a razão do não poder, o que te impede de querer. Ou simplesmente não explique nada, faça silêncio, mantenha-se calada, para o caso de um dia sua voz ter que ser usada contra si mesma, uma espécie de auto-traição.

 E um dia você vai lembrar que a calma que eu trazia não era minha. Era a fonte que alimentava todas minhas fantasias. E quem sabe você entenda que paz é só pra quem ja foi e voltou da tormenta dos dias inquietos…

Se existe uma palavra que me descreve é SURTO. Eu simplesmente surto e resolvo fazer.

Eu não consigo andar um caminho reto, com metas para daqui cinco anos. Simplesmente não consigo… É complicado eu receber meu salário e não ter uma folga pra ir num show, comer pastel na feira e fazer coisas corriqueiras que vão tirar o tédio dos meus dias. Chega a machucar ter que pensar em ter uma vida regrada graças a limitações e metas. Nesse momento eu surto…

Mas não são todos os momentos que nos dão o “prazer” de poder surtar. Tensões são momentos ideais para surto desde que estejam num contexto “posso mandar tudo a merda”. E tem dias que simplesmente não podemos entrar nesse contexto, e temos que aguentar toda agonia e falta de ar que situações podem nos proporcionar. Dói. Da agonia e desespero. Vontade de chorar.

A busca pelo alívio imediato é uma saga medieval. Montes e montes de terra a percorrer e talvez a solução estivesse lá atrás, no pequeno detalhe…

Quando eu era pequena meu pai sempre curava meus machucados com álcool pra aprendermos a não correr, ou não brigar, enfim… não se machucar por coisas que simplesmente podemos evitar. E eu transcendi isso para o meu dia a dia adulto. Eu bebo! É álcool da mesma forma. Cada dor de cabeça do dia seguinte ou cada dor de estômago me faz querer estar bem comigo mesma, para não recorrer ao “santo remédio”, aquele que apaga minha tensão imediata, mas que me faz remoê-la no dia seguinte (e sentir outras dores causadas pela suposta cura).

E como resolver os problemas sem tomar remédios amargos? Ainda estou tentando descobrir, mas pra aliviar a tensão imediata, por favor, me traga mais um maço de marlboro light? Obrigada.

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