sentimentos


Me diz? Me explica, cara. Eu simplesmente não entendo.
Não me venha com essas meias palavras, não me venha com essas meias verdades. Um dia eu desejei ser completa, e hoje eu luto apenas para querer existir. Luto porque sei que um dia, há tempos, valeu a pena, e não acredito em chance única. Sim, um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar, as pessoas podem se regenerar, e eu posso voltar a ter planos que me completem. Acredito nisso, como as pessoas hoje acreditam em Deus. Você sabe que nunca tive muito tato com religião. Você sabe que eu só rezava porque era seu hábito diário me dar a mão, deitar no meu peito, agradecer por tudo, pedir por alguma coisa, e rezar “como Ele nos ensinou”. Desculpa, Deus. Eu não queria ser assim tão descrente. E de fato não sou. Mas tem horas que é impossivel acreditar que eu também faça parte da obra divina.
E os sentimentos vem. E os sentidos vão. E tem dias que o peito aperta, que a cabeça gira, e que você continua sorrindo. Pra tudo. Pra todos. Sabe aquele momento da vida que nada presta? Nada, ninguém, nem você, nem ele. Nem nós. Eu não consigo mais lembrar dos momentos ruins como momentos ruins. Eu tenho as mágoas no meu peito, na minha cabeça, na minha lembrança. Tenho medo. Tenho pavor. Eu não respiro direito, eu ainda vomito, eu continuo engordando a custa de lembranças e de falta de continuidade no meu plano de ser feliz, casar, ter filhos, morar numa casa grande, onde alguma parede seria laranja.

Cade minhas vontades? Sinto tanta falta…
Agora mesmo. Vim de onibus pra casa. Entrou um senhor, e eu pra variar estava no banco de idosos. Ele se sentou na frente, onde um rapaz simpático se levantou, e vim ouvindo. Ele tem noventa e três anos. É italiano. Mora no Brasil a mais de sessenta anos. Perdeu a mulher ano passado após cinquenta e nove anos de casado. O filho tem quase essa idade. Tem dois netos. Um menino e uma menina, que faz medicina em Ribeirão. Ambos tem uns vinte anos. E ai tudo lembra você. Lembra seu avô, o “italiano fortão” que você tem tanto orgulho quando conta. Lembra do quando eu me senti bem. Lembra quando ele olhou com aquele azul intenso no meu olho e disse pra você que eu era uma boa pessoa… Lembra tudo, meu Deus. Me livra da minha memória. Porque dói tanto, Bê. Dói lembrar. Dói viver. Dói acordar todos os dias e pensar que tudo lembra. Seu avô esteve mal, e eu estava ali pra te abraçar. Ai lembrei quando a minha avó morreu. Cara, eu queria um abraço. Eu queria um colo confortável pra chorar. E eu olhava pro lado e meu desejo era cair. Eu busquei cumplicidade, eu busquei sinceridade, eu busquei amor. E chega! Não sou pirata pra viver atrás de alguma coisa a vida toda. Eu quero encontrar, quero aproveitar, quero demonstrar, quero cansar, quero ter paz. Ta doendo. Espero esquecer. Espero voltar a viver. E enquanto isso, to aqui.

Quanto tempo eu não escrevo?
Quanto tempo eu não mostro que eu penso também?
To lendo mais, vendo mais filmes, tenho andado sozinha com o fone de ouvido me ensurdecendo, pensando em como eu queria ser, e não sou. Não sou por falta de tempo, ou de oportunidade, ou de tempo de desenvolver uma determinada atividade. Não sou porque me cansa ser, porque exigiria mais de mim, porque sou porca em relação aos meus objetivos.

Bom, nas minhas leituras atuais encontra-se O Leitor.
Comprei num impulso de revolta. Eu queria ler, não ia comprar. Mas depois de tomar vinte minutos de chuva por causa de um cigarro, eu fiquei revoltada com a minha falta de capacidade de parar com o vício (o que teria me poupado da chuva), entrei na livraria, peguei as encomendas na reserva, e passei por um daqueles quiosques onde estão os livros de destaque, agarrei o livro, e paguei. Assim, simples, sem nem olhar nas partes internas se a história realmente me interessaria, sem ver o preço (que por sinal, nem foi tão caro). Esses são meus impulsos de revolta: comida, consumo e grosseria (procurei uma palavra com “c”, mas não achei).
Voltando ao foco: o livro. Ele é narrado em primeira pessoa, e pelo que eu entendi, no filme, essa narração é uma sessão de terapia. No livro é simplesmente um escritor contando sua história. Em um determinado momento ele propõe a seguinte questão: quando você é criança te dá “raiva” o fato dos seus pais saberem o que é melhor pra você. Se isso já é ruim quando ainda não somos desenvolvidos, é muito maior quando somos adultos. E questiona, por exemplo, uma pessoa ser acusada de um crime. Essa pessoa é canhota, mas tem vergonha de ser canhota. Se ela admitisse usar a mão esquerda seria solta porque, por evidências, o crime foi cometido com a mão direita. Você tem direito de interferir nesse sentimento de vergonha? Você tem o direito de falar que essa pessoa é canhota, e expor seu motivo de vergonha, para defendê-la? Será que essa pessoa esta disposta a pagar pelo que não fez por ter vergonha de ser quem é? Não é mais vergonhoso vestir uma culpa?
Anyway, isso me intrigou. Por vergonha de algumas das minhas ações, ou do meu jeito, ou de alguma coisa que só eu tenho o poder de mudar, as vezes eu me deixo cair culpas. Pelas minhas omissões eu causo revoluções onde o único lado a perder é o meu. Tenho vergonha do meu passado. Vergonha das vergonhas que passei, vergonha do meu medo. E eu numa onda de tentar recuperar algumas coisas escrevi o seguinte e-mail pra uma pessoa essa semana:

[...]
Mas digamos que sou uma pessoa “na minha”. Tenho meus amigos, e minhas idiotices, mas me alimento das outras coisas. Gosto de jogar videogame, e brincar de massinha, desenhar o que to vendo, por mais q NORMALMENTE eu não consiga, leio full time pq ocupa minha mente “brilhante”, escrevo com frequencia, toco violão nas horas vagas (toco mto mal e qse nada, mas brinco), sou viciada em música, mas sou de fases. Tenho compulsividade por arte, livros e filmes. Compro DVDs a rodo, gosto de cinema filmes “cults”, choro na maioria dos filmes. Visito museus sozinha pq eu fico HORAS olhando o mesmo quadro, se necessário. Tenho horror a metrô, não gosto de praia (por causa da areia), o sol me incomoda, amo sitio, adoro frio mas dispenso chuva. Meu senso de humor é britânico, sou detalhista, mas isso não me faz perfeccionista. 90% do tempo sou metódica. Viciada em comida japonesa e mexicana. Apelidada carinhosamente de gordinha de prédio (por viver em casa, e comendo ¬¬).

Tenho tantas outras coisas para assumir. Assumir meu ciúmes exagerado dos meus amigos, meu medo de relacionamentos, a vergonha do meu corpo. Assumir que não sei pedir por favor, ou agradecer o que me é feito (por timidez, na maioria das vezes). Anyway, acho que o remédio pra vergonha é se assumir. Pra você mesmo. E termino (sem paciência por tentar concluir isso a três dias) com uma música do Pato Fu que eu não conhecia, mas que ontem meu amigo me disse que foi escrita para os gays, e na verdade fala sobre se assumir de uma maneira geral…

Ela esta pronta
Pra mudar a sua vida pra sempre
Já imagina
Como tudo vai ser tão diferente
E aquele lugar la na frente
Vai ser seu

Mais um minuto
E tudo o que sonhou vai ser verdade
Não há no mundo
Quem não entenda a sua felicidade
Que possa dizer com certeza
Que o lugar é seu
Que é de quem nasceu pra brilhar

Uh, a hora da estrela vai chegar
Uh, agora ninguém vai duvidar
Não hoje, não mais
Nem nunca, jamais

Ela esta pronta
Pra mudar a sua vida pra sempre

(A Hora da Estrela – Pato Fu)

Me gustan los aviones, me gustas tu.
Me gusta viajar, me gustas tu.
Me gusta la mañana, me gustas tu.
Me gusta el viento, me gustas tu.
Me gusta soñar, me gustas tu.
Me gusta la mar, me gustas tu.

Minha cabeça roda. Minha cabeça roda. Minha cabeça roda!
Eu devo acreditar em regeneração? Acreditar que o amor não mudou? Acreditar que foi tudo culpa do medo? Acreditar que ninguém vai mais sofrer? Lembrei do Caio F. ontem. “Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como ’sempre’ ou ‘nunca’.”. Se eu pudesse um pouco mais eu faria “sempre” ser uma palavra de impacto e respeito. Quantas vezes eu não falei “sempre”? Se eu pudesse um pouco mais eu apagaria os meses sem a Taty, e deixaria na base do “sempre”. Mas pisando no mundo real, saindo dos amores platônicos, entrando na era do amor próprio, isso tudo é muito estranho pra mim… Se eu pudesse um pouco mais eu sonharia um pouco menos. “Nada mais importa porque eu estou aprendendo a viver…”… E eu que achava que não tinha tantas crises de adolescência, todas vieram depois dos 18. Mas é bom ter algumas pessoas por perto sempre me dando conselhos.

Tirando todas as dúvidas, de como agir ou reagir, eu to muito muito muito feliz. Faltam 14 dias! Fazia tempo que eu não ria boba pro nada… =)

*****

- Caramba, quebrou minha unha na carne!!!
- Passa Durex!
- COMO ASSIM PASSA DUREX?!
- É, Durex é terapêutico. No meu outro trabalho quando eu tava brava eu puxava um pedaço de Durex e coloca em tudo. Me deixava bem.

*****

Fui buscar um chá e na embalagem do açucar tava: “Invente menos problemas.”
Por que eu sempre acho que outdoors e embalagens falam diretamente comigo?

*****

Hoy día luna día pena
Hoy me levanto sin razón
Hoy me levanto y no quiero
Hoy día luna día pena
Hoy día luna día pena
Hoy me levanto sin razón
Hoy me levanto y no llego
A ninguna destinación
Arriba la luna Ohea…
Arriba la luna Ohea…
Hoy día luna día pena
Hoy me levanto sin razón
Hoy me levanto y no quiero
Hoy día luna día muero…
Arriba la luna Ohea…
Arriba la luna Ohea…
Arriba la luna Ohea…

Clareando e compreendendo melhor as questões afetivas
07/05 (hoje) às 4h17 a 16/05 às 2h51
Vênus em trigono com Mercúrio natal
  

Entre os dias 07/05 (hoje) às 4h17 e 16/05 às 2h51, o planeta Vênus estará entrando em contato de forma harmoniosa com o planeta Mercúrio do seu mapa astral, Dalila. A qualidade maior deste período envolve um melhor entendimento no que diz respeito à sua vida afetiva. Neste período, você estará mais consciente de coisas que você precisa melhorar para que as suas relações amorosas se tornem mais proveitosas. Talvez você venha a receber conselhos, toques, ou mesmo simplesmente tomar consciência das coisas que precisam ser mudadas. Mas o processo envolve também você receber alguns elogios a respeito de suas melhores qualidades nas relações. As pessoas em geral – amigos, amantes, familiares – estarão salientando suas virtudes, e falando mais delas. É legal ouvir essas coisas, mesmo quando já sabemos quais são nossas qualidades. Um melhor estímulo para a auto-estima é a marca registrada destes dias.

Outra qualidade marcante para o período, Dalila, envolve você provavelmente ter idéias mais harmoniosas, percebendo em si uma tendência mais apaziguadora e razoável.
 
Quando eu consigo me sentir bem, o meu horóscopo é sempre real e esclarecedor. Ontem não foi um bom dia, como hoje tbém promete não ser… Mas eu sempre tiro meu tempinho pro post matinal. Me faz tão bem falar sobre como me sinto… PRA QUE TERAPIA? Alias, na terapia eu só conseguia pensar que poderia passar a vida falando dos meus problemas… Alias, eles sumiram. Os principais, né? Os outros continuam FIRMES E FORTES me atormentando ¬¬
Eu acho que se eu parar de tretar com Deus as coisas tendem a melhorar. É! Antes eu falava que ele tirava um sarro da minha cara. Hoje acho que ele só gosta de rir do erro, mas depois acerta.

Algumas pessoas sabem como eu tenho angustias que dominam minha cabeça as vezes! Ontem eu queria chorar quando desliguei o telefone. Eu queria estar em Floripa e falar: “ei, olha, eu to aqui pra você já faz tanto tempo… e você não quer ver… quem tem coragem não finge, girl.”. Depois eu autoretruquei: “deixa pra lá, é insistencia demais… ja era. Acabou toda essa extensão de sentimento”. Não passou disso, uma extensão de sentimento. Eu terminei com a Dani e achei alguém tão complicado e cheio de cismas quanto ela pra poder descontar minhas tristezas. Pra poder sofrer como eu sofria… Não doeu. Só me faz pensar quanto tempo eu já podia estar inteira e pronta pra outra.

To aprendendo também a não ter medo de gostar. Não ter medo de sofrer… Sofrimento é natural. Estou me permitindo gostar e ser gostada. Sonhar, rir, desejar. Deus, porque você não me deixou provar isso de novo antes? O sabor é tão bom!!! Tem gosto de tacos e tequila. Desce quente, e deixa o sabor na boca.

Não, a Má não acabou com a minha vida. Ela tá me fazendo enxergar vida. É bem diferente.

To feliz, ok?!

E depois que eu só sei do agora.
e agora o que me importa é ela…
amanhã eu vejo o resto.
Depois descubro se passou da hora.
E se passou, e ela foi embora
É que não passou da hora, e ainda tem tempo
de ser feliz, mesmo se tocada apenas pelo vento.